
O futuro dos negócios será mais relacional — e mulheres já se destacam nesse modelo, aponta especialista
Mudanças econômicas e sociais indicam que vínculos, confiança e colaboração ganham espaço em um mercado cada vez mais conectado e complexo
O modelo tradicional de negócios, baseado em eficiência operacional, competição direta e crescimento acelerado, vem passando por transformações profundas nos últimos anos. Impulsionado por mudanças sociais, tecnológicas e culturais, o mercado aponta para uma nova lógica: mais relacional, colaborativa e conectada à construção de ecossistemas do que à simples expansão de mercado.
Nesse cenário, a chamada economia relacional ganha protagonismo. Diferente de modelos centrados apenas em transações, ela se sustenta em vínculos, confiança, reputação e capital social. Em um ambiente de hiperconectividade, onde consumidores buscam pertencimento e não apenas produtos, empresas que investem em relações genuínas tendem a gerar lealdade de longo prazo e reduzir custos de aquisição.

Para a especialista em empreendedorismo e inovação Sarah Venturim Lasso, esse movimento não é uma tendência passageira, mas uma mudança estrutural na forma de fazer negócios. “A lógica deixa de ser apenas vender para passar a ser construir junto. Relações consistentes geram valor econômico real e sustentam crescimento mais sólido ao longo do tempo”, afirma.
Esse novo modelo já pode ser observado no fortalecimento de comunidades de marca, no crescimento de redes de apoio entre empreendedores e no surgimento de negócios que nascem a partir da escuta ativa do público. Segundo Sarah, não se trata de uma gestão mais emocional, como muitas vezes se interpreta, mas de uma abordagem estratégica. “A matemática da confiança é altamente lucrativa no médio e longo prazo”, explica.
Nesse contexto, habilidades relacionais — historicamente mais associadas ao universo feminino — passam a ocupar papel central. Competências como escuta ativa, mediação de conflitos, leitura de ambiente e construção de redes deixam de ser diferenciais e se tornam essenciais para liderar em cenários complexos e incertos.
“Soft skills hoje são infraestrutura. Em ambientes colaborativos e multidisciplinares, a capacidade de conectar pessoas e alinhar interesses impacta diretamente os resultados”, destaca a especialista.
Empreendedoras, segundo ela, já operam nessa lógica há mais tempo. Muitas constroem negócios baseados em comunidade, priorizando relações antes da escala, parcerias antes da expansão e confiança antes da visibilidade imediata. Esse modelo favorece um crescimento mais orgânico e sustentável.
Isso não significa, no entanto, que negócios liderados por mulheres sejam automaticamente superiores, mas evidencia que o repertório relacional se tornou uma vantagem competitiva em um mercado cada vez mais saturado de ofertas e escasso de confiança.
O futuro dos negócios, aponta Sarah, exigirá menos controle e mais coordenação, menos imposição e mais influência, menos hierarquia e mais conexão. “Se a economia do século passado foi construída sobre força e escala, a próxima será sustentada por reputação e relação. E nesse território, muitas mulheres já sabem operar há anos”, conclui.
Por Daniel Alencastre

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