IA transforma operação de clínicas e reduz gargalos que comprometem crescimento e faturamento
Christini Ziviani – Vero Comunicação

Crédito: Freepik
Enquanto clínicas e consultórios investem cada vez mais na atração de pacientes, boa parte das perdas financeiras continua acontecendo dentro da própria operação. Demora no atendimento, falhas no acompanhamento comercial, processos administrativos desorganizados, agendas mal geridas e ausência de retorno rápido aos pacientes estão entre os principais gargalos enfrentados pelo setor de saúde privado.
Dados do Panorama das Clínicas e Hospitais 2025, da Doctoralia, apontam que 73% das clínicas brasileiras têm como principal meta o aumento de faturamento. Ao mesmo tempo, desafios relacionados à aquisição de pacientes, fidelização e eficiência operacional seguem entre os principais obstáculos enfrentados pelas empresas da área da saúde.
Foi a partir desse cenário que nasceu o Ailum, ecossistema de inteligência artificial criado pelos empresários Miguel Monjardim e Bruno Pimentel para atuar diretamente na operação de hospitais, clínicas médicas e odontológicas. A proposta da plataforma é diagnosticar os principais problemas operacionais de cada empresa e automatizar processos estratégicos, aumentando produtividade, organização e capacidade de atendimento.
Diagnóstico operacional
Antes de iniciar a implantação da inteligência artificial, o Ailum realiza um diagnóstico completo da operação da clínica para identificar gargalos, falhas de processo e pontos de perda de produtividade.
A partir desse mapeamento, a plataforma passa a automatizar etapas específicas da rotina administrativa, comercial e operacional da empresa, criando fluxos personalizados de acordo com a realidade de cada consultório.
Entre os processos automatizados pela plataforma estão atendimento inicial de pacientes, confirmação de consultas, recuperação de contatos sem retorno, organização de agendas, cobranças, follow-ups comerciais e fluxos administrativos internos.
“O mercado possui softwares que apenas armazenam informações. O Ailum foi criado para atuar na operação. A inteligência artificial entende os gargalos da empresa, estrutura processos e executa tarefas que antes dependiam exclusivamente de acompanhamento humano”, explica Bruno Pimentel.
Segundo Miguel Monjardim, a proposta não é substituir equipes, mas eliminar sobrecargas operacionais e reduzir perdas causadas por processos manuais e falta de acompanhamento. “Muitas clínicas dependem de uma única secretária para responder pacientes, organizar agenda, confirmar consultas, cobrar retornos e ainda lidar com questões administrativas. O Ailum entra justamente para absorver fluxos repetitivos e garantir continuidade operacional”, afirma.
Ainda de acordo com os fundadores, a plataforma foi treinada para compreender diferentes perfis de atendimento e manter uma comunicação contextualizada, evitando respostas mecânicas comuns em modelos tradicionais de chatbot.
Resultados
Um dos primeiros clientes da plataforma foi o cirurgião-dentista Guilherme Scalzer, mestre pela Ufes e formado pela Unicamp.
Em pouco mais de um mês de implantação, a clínica registrou 615 pacientes únicos em atendimento via WhatsApp e 383 agendamentos gerados pela plataforma, alcançando uma taxa de conversão de 62%. No período, mais de 20 mil mensagens foram processadas pelo sistema.
Outro dado chamou atenção: 1.813 atendimentos aconteceram fora do horário comercial, incluindo madrugadas e fins de semana, períodos em que muitos pacientes normalmente acabam sem retorno imediato por limitação operacional das clínicas.
Segundo levantamento da própria plataforma, mais da metade das respostas da operação já foi realizada diretamente pela inteligência artificial, atuando em conjunto com a equipe humana da clínica.
Além do ganho operacional, o sistema também impactou diretamente o faturamento. Apenas as avaliações iniciais agendadas no período representaram mais de R$ 31 mil em receitas para a clínica.
Os dados operacionais também ajudaram a identificar padrões de comportamento dos pacientes. Segundo o relatório da plataforma, quase metade da demanda diária acontece entre 13h e 18h, período em que muitos trabalhadores aproveitam horários de almoço e fim de expediente para resolver questões pessoais.
O sistema também identificou centenas de contatos realizados durante a madrugada, principalmente de pacientes em busca de implantes e atendimentos de urgência.
Segundo Scalzer, o principal ganho aconteceu na velocidade de resposta e na organização do fluxo comercial. “O Ailum organizou toda a operação da clínica. Hoje conseguimos manter atendimento ativo 24 horas por dia, inclusive à noite e aos fins de semana, sem perder qualidade no relacionamento com o paciente”, relata.
Sobre o Ailum
Após um ano e meio de desenvolvimento e pouco mais de um mês após o seu lançamento, o Ailum recebeu aporte de R$ 600 mil de investidores-anjo, em uma operação que avaliou a empresa em R$ 12 milhões.
Os fundadores da plataforma também foram procurados por investidores nacionais para expansão da plataforma e ampliação da atuação no mercado de saúde privada.
A expectativa é transformar o Ailum em uma infraestrutura operacional baseada em inteligência artificial para clínicas privadas, integrando atendimento, gestão comercial, operação administrativa e acompanhamento financeiro em uma única estrutura tecnológica.

Miguel Monjardim e Bruno Pimentel
…