
HPV aumenta chance de câncer; vacina é a forma mais eficaz de proteção
Esperado por muitos como um momento de festejar intensamente, o carnaval está chegando. O período de folia é caracterizado, muitas vezes, por excessos, em que cresce o risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), entre elas, o Papilomavírus Humano, ou HPV.
Em meio ao clima de festa, aumenta a chance de encontros causais e relações sexuais desprotegidas, que podem ser a porta de entrada para a infecção pelo HPV, classificada com a IST mais comum do mundo, muitas vezes assintomática.
“O HPV representa um fator de risco para o desenvolvimento de câncer da cavidade bucal, especialmente da região que chamamos de orofaringe. O vírus pode permanecer sem sintomas por um longo período, até que inicia as lesões precursoras, que, quando não tratadas, podem evoluir com malignidade”, explica a dentista oncológica Beatriz Coutens.
O vírus é transmitido através do contato direto com pele e mucosas infectadas, o que significa que pode se transmitido através do sexo oral.
O câncer de colo de útero, por sua vez, também está relacionada à infecção pelo HPV e a prática sexual sem preservativo é um fator de risco para a transmissão.
“O HPV é a principal causa do câncer de colo de útero, estima-se que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas vão ter contato com o vírus em algum momento da vida. Isso não significa que todas as que entrarem em contato com o vírus vão desenvolver a doença, mas é um dado que reforça a importância do acompanhamento ginecológico regular”, defende a oncologista Juliana Alvarenga.
O uso de preservativos é uma forma de proteção parcial contra o vírus, uma vez que ele pode se transmitir através da fricção ou atrito e penetrar por fissuras microscópicas na pele. A vacina contra o HPV é a principal forma de prevenir a infecção.
No Brasil, o Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV, para crianças e adolescentes de 09 a 14 anos. Essa vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.
A vacinação e a realização do exame preventivo (Papanicolau) se complementam como ações de prevenção desse tipo de câncer. Mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançam a idade preconizada (a partir dos 25 anos), devem fazer o exame preventivo periodicamente.
Por Fábio Andrade
ATHA Comunica