BANNER TOPO

Violência contra profissionais da educação cresce 254% em uma década

 
Lei capixaba surge como modelo nacional de proteção
 
A violência contra profissionais da educação avançou de forma alarmante no Brasil ao longo da última década e passou a ser tratada por pesquisadores e gestores públicos como fator estrutural de crise no ambiente escolar. Dados do Sistema Único de Saúde (DataSUS) mostram que o número de vítimas de violência em escolas passou de 3,7 mil registros em 2013 para mais de 13 mil em 2023 — um crescimento de 254% —, atingindo o maior patamar da série histórica e marcando recorde de atendimentos nos serviços de saúde públicos e privados.
O cenário brasileiro também se destaca negativamente em comparações internacionais. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil lidera o ranking de agressões contra professores entre os países pesquisados: 12,5% dos docentes brasileiros relatam sofrer agressões semanalmente, enquanto a média internacional é de 3,4%.
Casos emblemáticos se repetem com frequência no noticiário e ilustram a gravidade do problema. Em São Paulo (2023), um ataque à Escola Estadual Thomazia Montoro resultou na morte de uma professora; em Minas Gerais (2025), uma docente foi agredida após repreender um aluno pelo uso de celular; na Paraíba (2025), um professor foi atacado com um martelo, com investigação por tentativa de homicídio; e, no Tocantins (2025), a agressão a uma professora em escola estadual mobilizou sindicato e rede de ensino. O padrão observado é de recorrência, não de exceção.
Diante desse quadro, o Espírito Santo sancionou a Lei nº 12.520/2025, conhecida como “SOS Educação”, uma iniciativa pioneira que estabelece um protocolo claro de proteção e responsabilização para profissionais da educação. De autoria do deputado estadual Wellington Callegari (DC), professor de formação, a legislação surge como resposta estruturada a um problema que afeta não apenas a segurança dos educadores, mas a própria continuidade da educação de qualidade no país.
Violência generalizada e impacto direto na carreira docente
A escalada da violência é confirmada por diferentes pesquisas nacionais. Estudo realizado em 2025 pelo Observatório Nacional da Violência Contra Educadores (ONVE/UFF), em parceria com o Ministério da Educação, ouviu 3.012 profissionais da educação em todo o país e revelou que 90% dos entrevistados já sofreram violência, perseguição ou censura, ou presenciaram situações desse tipo no ambiente de trabalho. Entre os profissionais que relataram violência direta, 61% atuam na educação básica e 55% no ensino superior, indicando que o problema atravessa todas as etapas do sistema educacional.
Os efeitos extrapolam o episódio imediato. Segundo a mesma pesquisa, 53% dos profissionais relatam desconforto com o espaço de trabalho, 45% afirmam sentir-se constantemente vigiados e 20% já mudaram de escola por iniciativa própria após vivenciar situações de violência. Esse contexto é associado ao chamado “apagão dos professores”, fenômeno caracterizado pela evasão da carreira docente, adoecimento mental e queda contínua na procura por cursos de licenciatura.
Poucos estados com legislação protetiva
Apesar da dimensão do problema, ainda são poucos os estados brasileiros que contam com legislação específica em vigor voltada à proteção de profissionais da educação. Entre eles estão Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Espírito Santo.
O Espírito Santo se destaca pela abrangência e pelo detalhamento da lei aprovada. A norma define como profissionais protegidos todos aqueles que atuam em contato direto com alunos — docentes, auxiliares, coordenadores, bedéis, bibliotecários, secretários e demais trabalhadores das áreas pedagógica e administrativa — em instituições públicas e privadas. A lei estabelece procedimentos objetivos para casos de ameaça ou agressão, prevendo desde o registro formal da ocorrência até o afastamento do agressor do convívio da vítima, além de garantir encaminhamento para atendimento de saúde, acompanhamento psicológico e comunicação aos órgãos competentes, quando necessário.
Na prática, a norma padroniza um protocolo de resposta, ponto considerado decisivo por especialistas em segurança escolar. Sem um fluxo objetivo, a vítima tende a ficar desamparada, a ocorrência se perde e a escola “normaliza” o episódio. No Espírito Santo, o texto também prevê a responsabilização do gestor escolar em casos de omissão, exigindo que atue conforme o protocolo e reforçando a necessidade de proteção de quem mantém contato direto com os alunos.
Experiência capixaba como modelo nacional
O autor do projeto que deu origem à lei, o deputado estadual Wellington Callegari (DC), explica que a iniciativa busca enfrentar uma lacuna na forma como a violência escolar é tratada pelo poder público.
“Sou professor e conheço a realidade vivida por muitos colegas. Em grande parte dos casos, a violência gera abalos emocionais profundos, medo e silenciamento — uma verdadeira prisão psicológica. A lei foi construída para romper esse ciclo e garantir que a agressão não seja tratada como algo menor ou interno à escola. É um resgate da dignidade e da autoridade dos nossos mestres e trabalhadores da educação, que merecem respeito e reconhecimento”, afirma.
O SOS Educação é resultado de um amplo trabalho de pesquisa e debate legislativo proposto por Callegari, motivado pelo aumento dos registros de violência nas escolas capixabas. A base e a completude do projeto podem contribuir para a formulação de políticas públicas em todo o país.
“Quando o Estado define um protocolo claro, com responsabilidades definidas, a escola deixa de estar sozinha. Isso não elimina o problema por completo — precisamos de lideranças no Congresso lutando por essa bandeira —, mas cria um mínimo de proteção para quem está todos os dias dentro da sala de aula”, finaliza Callegari.
A Lei SOS Educação (Lei Estadual nº 12.520/2025), que institui medidas protetivas e procedimentos contra casos de violência contra profissionais da educação no Espírito Santo, foi sancionada no dia 28 de julho de 2025 e já está em plena vigência.
 
 
 
Assessoria de Imprensa do Deputado Wellington Callegari
VERO COMUNICAÇÃO
 
Categorias ,

Jornal Resgate