Você tem cuidado da sua mente? Os sinais de que é hora de olhar para si

 
(créditos: divulgação / Unimed Sul Capixaba)
 

Psicóloga destaca a importância de reconhecer os sinais de que algo não vai bem e incluir momentos de leveza na rotina

Cuidar da saúde mental não precisa estar associado apenas a grandes mudanças de vida. Pequenas atitudes incorporadas à rotina, como ouvir uma música, praticar uma atividade física, fazer artesanato, observar o ambiente ao redor ou simplesmente reservar alguns minutos para si, também podem contribuir para o bem-estar emocional.

Para a psicóloga Flávia Moreira Oliveira, do setor de Promoção de Saúde da Unimed Sul Capixaba, criar esses momentos é uma forma de interromper, ainda que brevemente, o ritmo acelerado do dia a dia e voltar a atenção para si. “Inclua em cada dia da sua vida uma prática de leveza, uma ação que te deixe bem. Não precisa ser uma ação grandiosa, não precisa ser um grande feito”, orienta.

Segundo a especialista, atividades como música e artesanato também podem funcionar como formas de expressão. “A gente literalmente põe a mão na massa, a gente literalmente cria alguma coisa. Muitas vezes, a gente precisa de uma outra via de expressão para manifestar algumas coisas que estão acontecendo no nosso mundo interno”, explica.

A atenção aos próprios sentimentos também é fundamental. Diferentemente de um desconforto físico, que costuma levar as pessoas a procurarem ajuda com mais rapidez, os sinais de sofrimento emocional podem ser naturalizados ou ignorados. Preocupações que se repetem constantemente, desmotivação, tristeza sem uma causa clara, irritabilidade e pessimismo persistente podem indicar que algo não está bem.

“Quando a gente sente uma dor no corpo, não demora tanto para buscar uma ajuda. A gente demora mais quando o desconforto é mental e emocional”, afirma Flávia. Ela alerta que, quando esses sinais são prolongados e não recebem atenção, o sofrimento pode se intensificar e também se manifestar fisicamente.

Por isso, observar mudanças no próprio comportamento e na forma de se sentir é um passo importante. E reconhecer que é preciso de ajuda não deve ser motivo de vergonha. Em alguns casos, as estratégias de autocuidado podem não ser suficientes, sendo necessário buscar o acompanhamento de profissionais especializados, como psicólogo e psiquiatra.

“O autocuidado é muito importante. É ele que vai garantir que a gente está mais fortalecido para enfrentar qualquer desafio”, destaca a psicóloga. Ao mesmo tempo, ela reforça que procurar ajuda profissional não significa fracasso ou fraqueza, mas uma forma de cuidado.

Para quem já percebe que não está bem emocionalmente, o primeiro passo pode ser justamente reconhecer essa condição sem se julgar. “Só de você ter tido já essa consciência de que não está bem, você já deu o primeiro passo. Reconhecer isso não é sinal de fraqueza, não é sinal de fracasso. Muito pelo contrário”, afirma Flávia.

A profissional recomenda ainda que as pessoas pratiquem o acolhimento e a gentileza consigo mesmas. Isso pode começar com atitudes simples: fazer uma refeição com atenção, sem o celular; escrever três qualidades pessoais; observar o céu e as árvores durante o caminho para o trabalho; compartilhar uma música de que gosta com alguém ou reservar um tempo para dormir mais cedo.

A proposta ganha ainda mais relevância durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida. A campanha reforça a importância de falar sobre saúde mental, reconhecer sinais de sofrimento e estimular a busca por apoio quando necessário.

Mais do que esperar que o sofrimento se torne intenso para agir, a orientação é construir uma relação mais atenta com as próprias emoções. Afinal, cuidar da saúde mental também pode começar com uma pequena pausa, um momento de conexão e uma prática de leveza todos os dias.

 

Por Raquel de Pinho 

Andréia Lopes Consultoria