Os-Mendigos-e-o-Pato-do-Imperador-Credito_-Gustavo-GuimaraesO teatro capixaba vai ganhar diferentes endereços da cena cultural carioca em outubro. Do Centro à Zona Sul, três espetáculos com vínculos com o Espírito Santo estarão em cartaz ou farão apresentações especiais no Rio de Janeiro: Capitu e Bentinho, do Grupo Teatral Caparaó, chega ao Teatro Dulcina; Os Mendigos e o Pato do Imperador ocupa o Teatro Laura Alvim; e O Capacete Mágico, da Cia Casa Alheia de Teatro, faz uma apresentação gratuita no Museu da República – Palácio do Catete.
São trabalhos de diferentes linguagens, públicos e trajetórias, mas que ajudam a revelar os caminhos percorridos por artistas e grupos ligados ao Espírito Santo para além das divisas do estado. De uma releitura de Machado de Assis ao teatro popular, passando por uma aventura infantil protagonizada por figuras do imaginário brasileiro, outubro coloca um pouco do sotaque capixaba em três importantes espaços culturais da capital fluminense.
Capitu e Bentinho leva o Grupo Teatral Caparaó ao Teatro Dulcina
O primeiro a chegar aos palcos é Capitu e Bentinho, que estreia em 1º de outubro no Teatro Dulcina, espaço da Funarte localizado na Cinelândia. A temporada segue até 18 de outubro, com sessões de quinta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 18h – com exceção do dia 4, quando não haverá apresentação.
A ligação com o Espírito Santo está na própria origem da companhia. Fundado em 2010, em Alegre, no sul do estado, o Grupo Teatral Caparaó desenvolve trabalhos autorais e releituras de clássicos, articulando teatro, música e outros recursos cênicos. Antes de chegar ao Rio, Capitu e Bentinho acumulou reconhecimento no Espírito Santo, incluindo o prêmio de melhor espetáculo no 10º Prêmio Super da Cultura Capixaba e sete premiações no 26º Festival Nacional de Teatro de Guaçuí.
Com direção e dramaturgia de Danyel Sueth, a montagem parte de Dom Casmurro, de Machado de Assis, para deslocar o olhar tradicional sobre a história de Capitu e Bentinho. Em vez de se limitar à conhecida pergunta sobre uma possível traição, o espetáculo aproxima a obra de discussões contemporâneas sobre relações de poder, direitos das mulheres, misoginia, machismo e violência de gênero.
“Revisitar um clássico, refazer questionamentos e aprofundá-lo na contemporaneidade é algo mais que oportuno, necessário. A ideia é subverter, questionar e dialogar com os anseios de agora”, afirma Danyel Sueth.
No palco, Sueth divide a cena com Bruna Frari e, em algumas apresentações, com a atriz carioca Milena Paiva. A trilha sonora é executada ao vivo por Renan Silveira, Marcos Tadeu e Ronnie Silveira.
Os Mendigos e o Pato do Imperador chega a Ipanema
Do Centro, o sotaque capixaba segue até Ipanema. De 3 a 25 de outubro, aos sábados e domingos, às 16h, Os Mendigos e o Pato do Imperador estará em cartaz no Teatro Laura Alvim. A montagem dos Trágicos da Cidade reúne teatro popular, comicidade e formas animadas para falar de poder, justiça e desigualdade.
O vínculo com o Espírito Santo passa pelo texto de Rodrigo Paouto, dramaturgo paulista radicado no estado, e também pelo ator e produtor capixaba Thiago Emanuel, natural de Alegre, que integra o elenco da montagem. Na história, quatro artistas mambembes atravessam o mundo levando sua arte até chegar ao Reino de Anarinacheirabufa. Famintos, encontram um pato e fazem dele sua refeição, sem saber que o animal pertencia ao imperador. Acusados pelo ocorrido, transformam suas próprias histórias e a arte que produzem em argumentos de defesa.
É desse encontro aparentemente absurdo entre quatro artistas famintos e um pato imperial que a dramaturgia extrai discussões sobre desigualdade e as diferentes maneiras pelas quais o poder se exerce sobre os indivíduos.
“Infelizmente, a metáfora da condenação injusta por um ato mínimo reflete o modo como, ainda hoje, a justiça pode ser mais dura com os pobres e complacente com os poderosos”, afirma Rodrigo Paouto.
Com direção convidada de Andréa Cevidanes, o espetáculo aposta na artesania teatral. Máscaras, bonecos, sombras, objetos, acrobacias e canções são incorporados ao jogo dos intérpretes, em uma linguagem que encontra referências na farsa, na commedia dell’arte, no circo-teatro e no teatro popular.
A montagem estreou no Rio em setembro de 2025, após ser selecionada pelo Programa Funarte Aberta. A temporada no Teatro Glauce Rocha foi prorrogada e chegou a 18 apresentações. Agora, o grupo leva o trabalho pela primeira vez ao Teatro Laura Alvim.
O Capacete Mágico celebra o Dia das Crianças no Palácio do Catete
No Dia das Crianças, 12 de outubro, o terceiro encontro dessa ponte entre Espírito Santo e Rio de Janeiro acontece no Museu da República. Às 10h, a Cia Casa Alheia de Teatro apresenta gratuitamente O Capacete Mágico, no Palácio do Catete, integrando a programação especial preparada pelo espaço para a data.
A criação também carrega as cores do Espírito Santo, já que o texto é assinado por David Rocha e a direção e adaptação por Thiago Emanuel, ambos capixabas. Em cena, Curupira, Caipora e Iara se veem diante de um problema. As antigas estratégias utilizadas pelos encantados para proteger a floresta parecem já não surtir o mesmo efeito. Diante da descrença de Caipora, Curupira resolve criar um capacete mágico capaz de despertar a consciência ambiental das pessoas, e a tentativa coloca os personagens no meio de uma grande confusão.
A montagem aposta na interação constante com as crianças. Humor, fisicalidade, música e sonoplastia executadas ao vivo pelos próprios atores ajudam a transformar a apresentação em um grande jogo, no qual as decisões e respostas do público interferem no desenvolvimento da história.
“O Capacete Mágico é um grande jogo, permeado por dramaturgia. Existe uma história que queremos contar, mas ela só se completa quando as crianças entram na brincadeira e ajudam os personagens a avançar”, explica Thiago Emanuel.
Formada por licenciados em Teatro pela Faculdade Cesgranrio, a Cia Casa Alheia estreou o espetáculo justamente em 12 de outubro de 2025, no Palco Zimbinha, do Teatro Municipal Ziembinski. Cerca de 200 pessoas acompanharam aquela primeira apresentação. Exatamente um ano depois, Curupira, Caipora e Iara voltam a se encontrar com o público no Dia das Crianças – desta vez, em um dos espaços históricos mais conhecidos do Rio de Janeiro.
Serviço
Capitu e Bentinho
1º a 18 de outubro de 2026
Quinta a sábado, às 19h | domingo, às 18h
Não haverá sessão no dia 4 de outubro
Teatro Dulcina – Rua Alcindo Guanabara, 17, Cinelândia
R$ 50 (inteira) | R$ 25 (meia)
90 min | Classificação: 14 anos
@grupoteatralcaparao
Os Mendigos e o Pato do Imperador
3 a 25 de outubro, sábados e domingos
16h
Teatro Laura Alvim – Av. Vieira Souto, 176, Ipanema
R$ 30 (meia)
60 min | Classificação: 10 anos
@ostragicosdacidade
O Capacete Mágico
12 de outubro de 2026
10h
Museu da República – Palácio do Catete – Rua do Catete, 153
Entrada gratuita
@ciacasalheiateatro
Relacionamento com a imprensa: Márcia Almeida Golden Assessoria de Comunicação