Projeto que aumenta rendimento na secagem do café será apresentado na FICC e terá novos testes no Norte do Estado

Projeto-piloto realizado em Linhares aponta ganho potencial de 4,15% no rendimento e redução das notas de fumaça de 27% para 1%; nova etapa busca testar a tecnologia em outras propriedades capixabas

Um projeto que testa o uso de gás natural na secagem do café será apresentado pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) durante a Feira Internacional do Café Conilon – FICC 2026, que acontece entre os dias 8 e 10 de outubro na área anexa ao Sesc de São Mateus. Realizado em condições reais de produção na Fazenda Chapadão, em Linhares, o projeto-piloto apontou ganho potencial de 4,15% no rendimento e reduziu de 27% para apenas 1% a incidência de notas de fumaça nas amostras analisadas. Para a colheita de 2027, a pesquisa deve avançar para novas propriedades, especialmente na região Norte do Espírito Santo. A apresentação acontecerá no primeiro dia do evento.

O projeto foi desenvolvido pelo CCCV, em parceria com a ES Gás, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet’s e Base 27, com aprovação e acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP). A iniciativa teve investimento de pouco mais de R$ 1 milhão e duração prevista de 12 meses.

De acordo com o CCCV, a proposta é levar à programação um exemplo de como uma mudança em uma etapa do pós-colheita pode interferir diretamente em dois pontos de interesse do produtor: quanto de café é aproveitado e qual qualidade chega ao final do processo.

Os primeiros resultados foram obtidos após 14 semanas de acompanhamento paralelo entre sistemas de secagem. Cerca de 9.400 sacas de café foram avaliadas entre maio e agosto, com comparação entre três secadores alimentados a gás natural e outros três movidos a lenha. O monitoramento considerou temperatura, consumo de gás, tempo de secagem, evolução da maturação dos grãos e características laboratoriais e sensoriais.

Nos testes realizados entre 120°C e 140°C, o sistema a gás apresentou rendimento de 39,73 sacas de café seco, contra 38,15 sacas no sistema a lenha, que operou entre 150°C e 250°C. A diferença representa um ganho potencial de 4,15%.

Em uma produção de 10 mil sacas, a projeção representa aproximadamente 415 sacas adicionais. É uma diferença que ajuda a dimensionar, em termos econômicos, por que a eficiência da secagem pode ser relevante para o produtor. O projeto estima ainda que o controle mais preciso da temperatura possa evitar perdas de até 1,6 saca por batelada.

Os ensaios indicaram também que a faixa entre 120°C e 160°C apresentou os menores níveis de consumo, com tempo de secagem entre 13 e 17 horas e média de 13,76 m³ de gás por saca.

A tecnologia também muda a dinâmica da operação. Enquanto o sistema tradicional exige abastecimento manual e contínuo das fornalhas, além de transporte e armazenamento da lenha, o gás natural permite maior precisão no fornecimento de calor e no controle da temperatura.

O outro resultado expressivo apareceu nas análises de qualidade. Nas amostras avaliadas pela JDE Peet’s, a incidência de notas de fumaça caiu de 27% para apenas 1% com a utilização do gás natural.

Além disso, 93% das amostras alcançaram perfil sensorial classificado como “Neutro” ou superior, enquanto 51% chegaram às classificações Neutro+ e Neutro++. Os dados indicam o potencial do controle térmico para reduzir a interferência da fumaça e preservar características sensoriais do café.

O acompanhamento da maturação dos grãos também fez parte da pesquisa. O estágio de maturação e as condições do café que chega à secagem interferem na resposta ao processo. Por isso, observar essa evolução ao longo da operação ajuda a entender como diferentes condições de temperatura podem afetar o resultado final e permite testar a tecnologia diante de diferentes características da matéria-prima.

“A secagem é uma etapa estratégica para o café e esses primeiros resultados mostram que existe espaço para avançar em produtividade, qualidade e controle do processo. O mais importante agora é ampliar essa experiência, testar a tecnologia em diferentes realidades e gerar informação para que o produtor possa avaliar as possibilidades com segurança”, afirma Fabrício Tristão, presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).

Novos testes na colheita de 2027

A primeira fase ocorreu na Fazenda Chapadão, propriedade de Eduardo Bortolini, em Linhares durante a safra 2026. Agora, o foco é ampliar a base de testes. Para a colheita de 2027, está sendo estudada a possibilidade de levar a pesquisa a novas propriedades e regiões, especialmente no Norte do Estado.

A ideia é mapear secadores localizados próximos à rede da ES Gás e identificar possíveis áreas para os próximos testes, permitindo comparar os resultados em diferentes condições de produção.

“O Espírito Santo reúne duas grandes vocações: a produção de café e a energia. Quando aproximamos esses setores por meio da inovação, criamos oportunidades para aumentar a competitividade, impulsionar o desenvolvimento regional e abrir novos caminhos para o uso do gás natural no interior do Estado. Nosso objetivo agora é ampliar os testes e gerar conhecimento que apoie o desenvolvimento sustentável do agronegócio capixaba”, afirma Raphael Pereira, diretor-presidente da ES Gás.

FICC coloca inovação no centro da discussão

Em sua segunda edição, a feira reúne produtores, empresas, cooperativas, pesquisadores e outros atores da cadeia do Conilon para discutir tecnologia, produtividade, mercado, logística e oportunidades para o agro.

“A FICC existe para aproximar quem produz das discussões, tecnologias e oportunidades que estão movimentando a cadeia do Conilon. Trazer para a programação um projeto que já foi testado em uma propriedade capixaba e apresenta resultados concretos é colocar o produtor em contato com uma experiência que pode ser conhecida, discutida e avaliada a partir da realidade do campo”, destaca Marcus Magalhães, curador da FICC 2026.

A Feira Internacional do Café Conilon (FICC) é uma realização da Adetur; parceria da Prefeitura Municipal de São Mateus; apoio do Sebrae e Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; apoio institucional da Fecomércio-ES, Sistema OCB/ES, Somos Coop, Faes, Senar, Sindicatos, Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV), Conselho Nacional do Café, Abics, Abic e Cecafé; organização Érika Okuma; curadoria de Marcus Magalhães; montadora oficial Studio Brasil; apoio técnico Cooptures.

Serviço

Feira Internacional do Café Conilon – FICC

De 08 a 10 de outubro de 2026

Local: Área anexa ao Sesc – São Mateus

Na programação: painéis técnicos, rodadas de negócios, experiências de café, dia de campo, curadoria especial, música e gastronomia

Informações e programação completa: https://ficconilon.com.br/

Instagram: https://www.instagram.com/ficconilon/

Entrada gratuita

 

Programação

 

Quinta-feira (08/10)

10h – Abertura

11h – Painel “Três Caminhos, Um Propósito: Como o Cooperativismo Capixaba Gera Valor para Produtores, Comunidades e Mercados”, apresentado por representantes da Cafesul, Cooabriel e Nater Coop; mediado pelo Sistema OCB/ES

14h – 15h – Clima como fator de decisão nos negócios – apresentado por Marco Antônio dos Santos, Rural Clima

15h30 – 16h20 – Painel Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV) e ES Gás

17h – Painel Diálogos.AG com José Luiz Niemeyer dos Santos Filho, cientista político, referência no Brasil em relações internacionais e segurança, comentarista de Relações Internacionais, professor e coordenador do curso de Relações Internacionais do Ibmec/RJ e especialista em Segurança Internacional e Defesa Nacional; mediado por Abdo Filho

Sexta-feira (09/10)

10 h – Os desafios e as oportunidades para o setor da pimenta-do-reino, com Frank Moro e Aureliano Nogueira, BSA

11h – O futuro do mercado, com Marcus Magalhães, especialista em Mercado do Agronegócio e curador da FICC

14h – Hub Portuário e o futuro da logística do ES apresentado por Claudio Melim, Coordenador Comercial do Imetame Logística Porto

15h – Nova ES – Investimentos no Norte do ES

16h – A logística no mercado do café capixaba – Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes) / Parklog

Sábado (10/10)

10h – Palestra Senac

11 h – Palestra Senar/Sindicato Rural

Programação paralela ao evento

Durante os três dias, além das palestras e painéis, o público contará com praça de alimentação, shows e estandes de produtos relacionados ao universo rural.

>> Programação sujeita a alteração.

   

   Créditos: Divulgação 

LR Comunicação

Mônica Moreira  / Lucas Rezende