Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5 milhões de toneladas

Presidente-da-FINDES-Paulo-Baraona-na-abertura-da-Modal-Expo-2026-_-Foto: Divulgacao

A trajetória econômica do Espírito Santo está diretamente ligada à atividade portuária. No passado, o setor ajudou a transformar a economia capixaba e continuará sendo fundamental para definir o futuro do desenvolvimento do Estado e do país. Para dimensionar o impacto econômico gerado pelo modal, os portos capixabas movimentaram mais de 137,5 milhões de toneladas no ano passado, registrando a quarta maior movimentação portuária do Brasil.  

A movimentação de cargas nos portos do Espírito Santo cresceu 13,1% em 2025, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), percentual muito superior à média nacional, de 6,1%. Esses são alguns dos inúmeros indicadores que compõem o Atlas Portuário do ES, produzido pelo OBSERVATÓRIO FINDES. Lançado nesta terça-feira (16), durante a ExpoModal, na Serra, o documento apresenta um levantamento detalhado e inédito sobre a infraestrutura portuária capixaba. 

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Paulo Baraona, explica que o Atlas Portuário reúne conhecimento, organiza informações e oferece uma visão ampla sobre a infraestrutura, a capacidade, os gargalos e as oportunidades do sistema portuário do Estado. 

“Acreditamos que o próximo salto do desenvolvimento econômico do Espírito Santo passa pelo mar, ganha força na indústria e se concretiza nas pessoas. Precisamos olhar para a agenda de infraestrutura de forma contínua, porque grandes transformações são construídas de maneira estratégica. O Atlas Portuário do Espírito Santo não é apenas um retrato do presente, mas uma ferramenta para planejar o futuro”, afirma. 

Baraona destaca ainda que o desenvolvimento não acontece por acaso. “Ele exige informação, planejamento, cooperação entre as instituições públicas e privadas e visão de longo prazo.” 

O Atlas Portuário do Espírito Santo está integrado ao projeto Atlas da Infraestrutura, lançado em maio deste ano, e combina análises técnicas, dados socioeconômicos e um mapa visual que reúne informações sobre os terminais existentes e os projetos futuros. 

“A publicação será um guia para a tomada de decisão de investidores, apresentando estatísticas sobre a movimentação de cargas e a conectividade dos portos capixabas com as redes ferroviária e rodoviária. Além das especificações físicas dos terminais, os textos abordam o contexto histórico e os marcos regulatórios que sustentam o crescimento do sistema portuário nacional”, aponta Baraona. 

Crescimento econômico do ES está conectado ao desenvolvimento portuário 

Os portos tiveram papel determinante no desenvolvimento econômico do Espírito Santo. A inserção do Estado no cenário nacional teve início com o avanço das exportações de café, a partir do século XIX. Posteriormente, a exportação de minério de ferro e a instalação do parque industrial, também voltado ao mercado externo, deram origem, a partir da década de 1960, a um dos principais complexos portuários do país.  

“Com localização geográfica privilegiada, o sistema portuário do Espírito Santo está conectado a importantes ferrovias e rodovias. Em um raio de 1.200 quilômetros, o Estado alcança uma região que concentra cerca de 63% do PIB brasileiro e está próximo de importantes centros econômicos do país, como Salvador, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. O Espírito Santo mantém ainda uma integração relevante com a Região Sudeste e parte da Região Nordeste, além de se apresentar como alternativa logística para estados exportadores sem acesso ao litoral, como Minas Gerais e Goiás”, analisa a gerente de Estudos Estratégicos do OBSERVATÓRIO FINDES, Carolina Ferreira. 

A gerente-executiva do OBSERVATÓRIO FINDES e economista-chefe da Federação, Marília Silva, complementa que essas vantagens estratégicas criaram condições para o desenvolvimento de um sistema portuário capaz de atender não somente à demanda estadual, mas também de posicionar o Espírito Santo como um ator fundamental na logística nacional e um dos principais pontos de entrada e saída de mercadorias do Brasil. 

“O Caderno de Portos nasce como uma publicação importante não apenas para o setor portuário capixaba, mas para todos que têm interesse em impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura do Espírito Santo, seja por meio de ações do setor público ou da iniciativa privada. O trabalho conta com a participação de representantes dos terminais portuários do Estado: ArcelorMittal, Blue Terminals, Imetame, Ogmo, Petrocity, Porto Central, Portocel, Samarco, Transpetro, Vale, VLI e VPorts , que contribuíram para a validação das informações”, explica. 

No Estado, a atividade portuária fomenta uma importante cadeia de negócios, que envolve empresas dos setores logístico, marítimo, industrial, energético e regulatório, entre outros. Essas atividades são relevantes geradoras de emprego e renda. Ao todo, o segmento reúne 133 empresas formais, responsáveis por 6.756 empregos com carteira assinada. 

Terminais do ES são referência nacional 

Os terminais portuários tornaram o Espírito Santo uma referência nacional na movimentação de alguns dos principais produtos da pauta exportadora brasileira. Atualmente, o Estado lidera a movimentação de minério de ferro pelotizado e de ferro e aço, além de ocupar a segunda posição no escoamento de pasta de celulose. O Espírito Santo também se destaca como o principal ponto de entrada de carvão mineral no país.  

Além da relevância dos terminais de uso privado, o porto sob concessão da VPorts é atualmente a única infraestrutura portuária multipropósito do Espírito Santo. Por ele são exportadas, entre outras mercadorias, as rochas naturais que fazem do Estado o maior exportador brasileiro do produto. O terminal também viabiliza a importação de veículos, segmento no qual o Espírito Santo ocupa a primeira posição no ranking nacional. 

90% das cargas movimentadas nos portos do ES são para exportação 

Quase 90% da movimentação portuária do Espírito Santo ocorre por meio da navegação de longo curso, modalidade destinada ao transporte marítimo internacional e responsável por conectar os terminais capixabas ao restante do mundo. Essa modalidade respondeu por 126 milhões de toneladas das 137,5 milhões de toneladas movimentadas em 2025.  

“Esse dado evidencia a relevante integração do Espírito Santo com o comércio internacional. Além da localização estratégica, reunimos uma economia aberta ao mundo, uma indústria forte, um sistema portuário relevante e uma diversidade de modais que está transformando o Espírito Santo em um dos principais hubs logísticos do país”, aponta o presidente da FINDES, Paulo Baraona. 

Entre as cargas movimentadas na navegação de longo curso, 88,9% estiveram relacionadas às exportações, totalizando 112,5 milhões de toneladas, enquanto as importações representaram 11,1%, ou 13,9 milhões de toneladas. 

Nos embarques destinados ao exterior, predominaram o minério de ferro, com 94,9 milhões de toneladas; a celulose, com 6,2 milhões de toneladas; e os produtos siderúrgicos, com 5,1 milhões de toneladas. Já entre as cargas desembarcadas, o carvão mineral respondeu pela maior parte da movimentação, com 9,3 milhões de toneladas.  

“Para os próximos anos, o setor portuário capixaba deve ampliar seu protagonismo, impulsionado por cerca de R$ 6,4 bilhões em investimentos previstos em novos terminais e na expansão da infraestrutura existente. Considerando os 4 modais de transporte, cujos investimentos somam R$ 28,4 bilhões, os investimentos portuários representam 22,0% do total”, afirma Baraona.  

Por Siumara Gonçalves 

Siumara Gonçalves – Assessoria de Imprensa

Anderson Barollo – Assessoria de Imprensa