CLT perde espaço para a busca por autonomia: cresce o número de profissionais que preferem empreender

 

Especialista em Planejamento Tributário e Financeiro, Diorge Liberato

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Especialista em planejamento tributário e financeiro observa mudança de comportamento entre trabalhadores que trocam a estabilidade da carteira assinada pela liberdade de gerir o próprio negócio

A tradicional segurança da carteira assinada já não é unanimidade entre os trabalhadores brasileiros. Um movimento silencioso, mas cada vez mais perceptível, tem levado profissionais a rejeitarem oportunidades de emprego formal para investir na autonomia proporcionada pelo empreendedorismo. O fenômeno tem sido observado de perto pelo contador e especialista em planejamento tributário e financeiro, Diorge Liberato, que acompanha a mudança no perfil de seus clientes.

Segundo ele, muitos trabalhadores têm optado por atuar como Microempreendedores Individuais (MEIs) ou migrar para empresas enquadradas no Simples Nacional, priorizando qualidade de vida, flexibilidade e maior controle sobre os próprios ganhos.

“O que tenho percebido é que muita gente não quer mais voltar para o regime CLT. Esses profissionais estão preferindo abrir um MEI e trabalhar por conta própria porque valorizam a liberdade de administrar o próprio tempo e tomar decisões sobre a própria rotina”, afirma Diorge Liberato.

O especialista destaca que a autonomia tem pesado mais do que a previsibilidade oferecida pelo emprego formal. A possibilidade de negociar diretamente os valores dos serviços prestados, organizar os horários de trabalho e conciliar compromissos pessoais são alguns dos fatores apontados por quem faz essa escolha.

“Tenho clientes que rejeitaram propostas de emprego com salários próximos de R$ 10 mil porque preferiram manter seus negócios. Eles começaram como MEI, cresceram, migraram para o Simples Nacional e hoje enxergam mais vantagens em empreender do que em retornar à carteira assinada”, revela.

Embora a CLT continue oferecendo benefícios importantes, como FGTS e garantias trabalhistas, Diorge explica que muitos empreendedores avaliam que a contribuição previdenciária realizada pelo MEI permite a manutenção do direito à aposentadoria, ao mesmo tempo em que proporciona maior liberdade financeira.

“Para esse público, o que pesa é a sensação de independência. Eles não querem deixar recursos imobilizados e preferem ter autonomia para administrar seus ganhos e decidir os rumos da própria carreira”, acrescenta.

O cenário reflete uma transformação nas relações de trabalho e aponta para uma nova mentalidade profissional, na qual propósito, flexibilidade e liberdade têm se tornado tão relevantes quanto a estabilidade tradicional.