O Base27 tem participação de destaque em um projeto inédito no Espírito Santo que busca modernizar uma das etapas mais importantes da produção de café conilon: a secagem dos grãos. A iniciativa testa o uso do gás natural como alternativa às fontes energéticas tradicionais, com potencial de ampliar eficiência, qualidade e sustentabilidade no campo.
Segundo a diretora de inovação do Base27, Pollyana Rosa, a mudança no processo da secagem do café substituindo a lenha pelo gás natural representa um avanço para o setor produtivo capixaba. “Nossa intenção com o projeto é provar o aumento da qualidade do grão, a viabilidade técnica e financeira da inovação no processo de secagem e contribuir para a escala desse novo formato. O potencial de ganho para o Espírito Santo é enorme com a implementação desta mudança. Podemos ampliar a exportação do café capixaba e elevar muito a qualidade do grão diante do mercado internacional.”
O projeto integra uma ação de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da ES Gás, aprovada pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP), e será executado durante a safra na Fazenda Chapadão, em Linhares.
Com atuação técnica direta, o Base27 contribui na integração de soluções tecnológicas e no suporte à adaptação dos sistemas utilizados no processo de secagem, viabilizando a aplicação do gás natural em ambiente real de produção. A iniciativa é conduzida em parceria com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), principal articulador do projeto junto ao setor produtivo capixaba. A proposta acompanha o movimento de modernização da cafeicultura, em que qualidade, padronização e sustentabilidade ganham cada vez mais peso na competitividade do produto.
“A cafeicultura capixaba — especialmente a produção de conilon — é hoje reconhecida entre as mais modernas e tecnificadas do mundo, destacando-se pela rápida adoção de inovação, elevada produtividade e crescente foco em qualidade. Esse cenário nos coloca em posição estratégica para ampliar, nos próximos anos, a oferta de cafés brasileiros ao mercado internacional. A etapa da secagem ainda representava um dos principais desafios para ganhos mais expressivos de qualidade na exportação, mas, com este projeto, damos um passo decisivo para superar essa barreira. A utilização do gás natural no processo de secagem tem potencial para elevar significativamente o padrão do café capixaba, agregando valor ao produto, ampliando as oportunidades de exportação para os produtores e fortalecendo a liquidez e a competitividade do nosso mercado. Estamos diante de uma inovação com capacidade de promover uma transformação profunda na cafeicultura do Espírito Santo”, destaca Fabrício Tristão, presidente do CCCV.
Segundo o diretor-presidente da ES Gás, Raphael Pereira, o projeto representa um avanço na relação entre energia e agronegócio. “O gás natural passa a ter um papel estratégico como viabilizador de inovação no processo de secagem do café, contribuindo para ganhos de qualidade e eficiência e ampliando a competitividade do produto capixaba”, afirmou.
O CCCV destaca que a modernização da secagem pode impactar diretamente a qualidade do café voltado à exportação, com ganhos de padronização e valorização no mercado internacional.
Os testes serão realizados ao longo da safra de conilon, com monitoramento técnico e análise de desempenho energético, qualidade do grão e viabilidade econômica. A proposta é avaliar a possibilidade de expansão da tecnologia para outras propriedades e ciclos produtivos.
A iniciativa também conta com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e a Jacobs Douwe Egberts (JDE), reunindo setor produtivo, pesquisa e inovação aplicada. Por seu caráter inovador, o projeto será desenvolvido dentro de um ambiente regulatório experimental (sandbox regulatório), sob acompanhamento da ARSP.
Com investimento aproximado de R$ 1,1 milhão, a iniciativa busca avaliar novas soluções energéticas aplicadas ao agronegócio e reforçar o papel do Espírito Santo como referência em inovação na cafeicultura.
A participação do Base27 reforça a atuação do ecossistema capixaba de inovação na criação de soluções tecnológicas aplicadas ao setor produtivo, conectando energia, pesquisa e desenvolvimento rural.

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Por Jady Oliveira