Estresse, privação de sono e mudanças na rotina podem deixar marcas que acompanham policiais e bombeiros durante e após a carreira
Celebrado nesta terça-feira (25), o Dia do Soldado vai além das homenagens aos profissionais que atuam na proteção da sociedade e abre espaço para um debate sobre os impactos da carreira militar na saúde física e emocional de policiais e bombeiros.
A rotina marcada por situações de risco, pressão, jornadas exigentes e poucas horas de descanso pode trazer consequências que nem sempre são percebidas de imediato. Os reflexos, segundo especialistas e pesquisas realizadas na área, podem acompanhar os profissionais mesmo após a passagem para a reserva.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 12.584 policiais civis e militares brasileiros foram afastados por adoecimento psíquico entre 2015 e 2022.
No Espírito Santo, um estudo divulgado neste ano pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) também chamou atenção para a saúde dos profissionais da segurança pública. A pesquisa revelou que 53,2% dos policiais da Companhia de Choque do Batalhão de Missões Especiais (BME) apresentaram hipertensão arterial, mesmo em um grupo formado por profissionais jovens e fisicamente ativos.
Segundo os pesquisadores, fatores como o estresse da atividade policial e a privação crônica de sono ajudam a explicar o resultado.
Para o presidente da Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires), Capitão Guilherme Thompson, discutir a saúde dos militares exige olhar também para o período posterior à vida na ativa.
“A carreira militar exige muito do ser humano. São anos convivendo com situações de risco, alta responsabilidade, jornadas desgastantes e uma carga emocional que, muitas vezes, continua presente mesmo depois que a farda é guardada. É preciso olhar para a saúde desses profissionais de forma integral”, afirma.
Desafios continuam após a carreira
A passagem para a reserva representa uma mudança significativa na rotina de muitos militares. Após décadas de convivência diária com colegas e de uma vida estruturada em torno da profissão, o afastamento da atividade pode trazer novos desafios, especialmente durante o envelhecimento.
“Os desafios não acabam quando o militar passa para a reserva. Em muitos casos, permanecem como reflexos da própria profissão. Ter uma rede de apoio faz toda a diferença nesse momento”, diz Thompson.
Além da atuação na defesa dos direitos da categoria, a associação oferece assistência social, jurídica e médica aos associados e promove atividades de integração e lazer.
“Grande parte dos nossos associados é formada por idosos, que encontram na convivência, nas atividades promovidas pela associação e no suporte oferecido pela entidade um importante apoio para atravessar essa fase da vida com mais qualidade e dignidade.”
Para Thompson, o Dia do Soldado também pode ser uma oportunidade para ampliar o debate sobre a necessidade de cuidados que acompanhem os profissionais da segurança pública durante toda a vida.