A projeção do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026 voltou a subir. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (5), o IPCA esperado para o ano passou de 4,95% para 5,01%, na terceira alta consecutiva. O número fica acima do teto da meta de inflação. Para a taxa Selic, a expectativa é de 13,5% ao ano no fim de 2026.
Embora as projeções façam parte do acompanhamento do mercado, os números também têm reflexos sobre decisões tomadas diariamente por famílias e empresas. Para o assessor de investimentos da Sicredi Serrana, Torres Mônico, entender essa relação é importante para que o consumidor consiga tomar decisões financeiras mais conscientes.
“Inflação e juros estão diretamente relacionados ao planejamento financeiro. Quando a expectativa de inflação aumenta, o dinheiro perde poder de compra mais rapidamente, enquanto uma taxa de juros elevada encarece o crédito e influencia a remuneração de diferentes casses de investimentos. Por isso, acompanhar esse cenário ajuda famílias e empresas a tomarem decisões mais adequadas à sua realidade”, explica.
Na prática, a inflação afeta principalmente o poder de compra. Se os preços de produtos e serviços avançam, a mesma quantia passa a comprar menos. Para as famílias, isso pode exigir maior atenção ao orçamento, especialmente em despesas recorrentes, como alimentação, transporte e serviços.
Já a Selic influencia diretamente o custo do dinheiro na economia. Uma taxa ainda elevada tende a manter o crédito mais caro, o que pode pesar em financiamentos, empréstimos e outras operações. Para quem possui recursos disponíveis para investir, por outro lado, o cenário de juros também altera a atratividade relativa de diferentes modalidades de aplicação.
“Em um ambiente de juros elevados, é ainda mais importante não tomar decisões apenas olhando para a rentabilidade nominal. É preciso considerar inflação, prazo, liquidez, risco e objetivo daquele dinheiro. O investimento precisa estar adequado ao propósito e ao perfil de cada pessoa”, afirma Mônico.
Há no mercado opções de aplicações financeiras que são diretamente indexadas ao IPCA, índice oficial de inflação calculado e divulgado pelo IBGE. Aplicações dessa natureza protegem o poder de compra do investidor, já que remuneram sempre acima do índice IPCA, isto é, acima da inflação acumulada durante o período. Em outras palavras, são opções que entregam rentabilidade real.
O ponto de atenção nessa classe é que essa característica se preserva caso a aplicação seja levada até o vencimento, por isso geralmente são recomendadas para um recurso que não esteja comprometido no curto prazo.
De forma indireta, as aplicações pós-fixadas também tendem a proteger o poder de compra, já que acompanham a taxa Selic, que por sua vez tende a se manter elevada durante cenários de inflação acentuada. Nessa classe é comum encontrarmos opções de alta liquidez, que preservam a possibilidade de resgate antecipado sem nenhum tipo de penalidade. São geralmente as opções mais adequadas para o caixa ou capital de giro de uma empresa, ou mesmo como reserva disponível para uma pessoa física.
Já as aplicações pré-fixadas demandam maior atenção, principalmente naquelas sem liquidez, ou seja, que “travam” o recurso por prazos mais extensos. Estas remuneram um percentual fixo determinado na contratação, sem relação com a inflação durante o prazo contratado. Neste caso, há risco de uma rentabilidade que seja parcial ou integralmente consumida pela inflação. Há possibilidade de resgate de um montante financeiro maior, com um poder de compra inferior. Por ofertaram um percentual fixo, é comum que sejam vistas como opções seguras, mas é crucial ponderar o risco de perda de poder de compra nessas aplicações.
O cenário também exige atenção das empresas. Juros elevados podem aumentar o custo de capital e influenciar decisões relacionadas a investimentos, estoques, expansão e contratação de crédito. Nesse contexto, planejamento financeiro e acompanhamento do fluxo de caixa ganham ainda mais importância.
“Para o consumidor, a recomendação é evitar decisões motivadas apenas pelo cenário econômico de curto prazo. A construção de uma reserva financeira, o controle do orçamento e a avaliação cuidadosa antes de assumir novas dívidas são medidas que ajudam a atravessar períodos de maior inflação e juros elevados”, avalia o assessor de investimentos.
Por Christini Ziviani