Por Christini Ziviani

Crédito foto: Divulgação e Magnific
Retinopatia diabética e mancha branca na pupila mostram por que o diagnóstico precoce é decisivo para preservar a visão
Setembro é marcado por duas importantes campanhas de conscientização que têm a saúde dos olhos como foco. Enquanto o ‘Setembro Dourado’ chama atenção para os sinais do câncer infantojuvenil — incluindo a mancha branca na pupila, um dos principais indícios do retinoblastoma — especialistas também reforçam o alerta para a retinopatia diabética, uma complicação do diabetes que pode evoluir de forma silenciosa e levar à perda da visão quando não é diagnosticada precocemente.
O tema ganhou destaque nos últimos dias após o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) reforçar que pessoas com diabetes devem realizar avaliação oftalmológica pelo menos uma vez ao ano. A retinopatia diabética é causada por alterações nos vasos sanguíneos da retina provocadas pelo diabetes e pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que torna o acompanhamento regular indispensável.

Lucas-Emery
O oftalmologista Dr. Lucas Emery, do Hospital de Olhos Vitória, destaca que quanto mais cedo um problema ocular é identificado, maiores são as chances de preservar a visão.
“Muitas doenças que ameaçam a visão começam de forma silenciosa. A retinopatia diabética pode evoluir sem sintomas por bastante tempo, e o retinoblastoma, nas crianças, costuma dar sinais que podem ser percebidos pelos pais, que é a mancha branca na pupila. O diagnóstico precoce faz toda a diferença nos dois casos”, afirma.
Diabetes também afeta os olhos
A retinopatia diabética é uma das complicações microvasculares mais frequentes da doença. O excesso de glicose no sangue danifica os pequenos vasos da retina, região responsável pela formação das imagens, podendo provocar sangramentos, edema e comprometimento progressivo da visão. Em casos avançados, a doença pode levar à cegueira. O médico explica que, justamente por ser uma condição silenciosa, muitas pessoas descobrem a doença apenas quando já apresentam perda visual.
“O paciente pode enxergar normalmente e, ainda assim, ter alterações importantes na retina. Por isso, quem tem diabetes precisa de um acompanhamento com oftalmologista”, diz. O exame de fundo de olho é o principal método para identificar alterações na retina antes que elas causem danos permanentes.
Mancha branca na pupila é um sinal de alerta na infância
Já nos casos das crianças, um dos sinais que merece atenção imediata é a leucocoria, conhecida popularmente como “mancha branca no olho”. Ela costuma aparecer em fotografias com flash, quando, em vez do reflexo vermelho normal, um dos olhos apresenta um reflexo esbranquiçado.
Esse pode ser um dos primeiros sinais do retinoblastoma, tumor que acomete a retina e é o câncer ocular mais comum em crianças de 0 a 5 anos e que tem o alerta reforçado na campanha do Setembro Dourado.
“Os pais costumam perceber essa alteração em fotos ou quando observam a criança sob determinada iluminação. Sempre que houver um reflexo branco na pupila, estrabismo repentino ou qualquer alteração visual, a criança deve ser avaliada o quanto antes”, pontua Emery.
O médico ressalta que nem toda mancha branca indica retinoblastoma, mas o sintoma nunca deve ser ignorado, já que outras doenças oculares também podem provocar esse reflexo.
Atenção em todas as fases da vida
Embora tenham causas e públicos diferentes, a retinopatia diabética e o retinoblastoma reforçam a importância de incluir os cuidados com a visão na rotina de saúde.
“O exame oftalmológico não serve apenas para descobrir o grau dos óculos. Ele também identifica doenças que podem comprometer a visão de forma irreversível e que, muitas vezes, podem ser tratadas quando descobertas precocemente”, afirma o médico.