Setor brasileiro de rochas naturais integra audiência do USTR sobre medidas tarifárias

 

Manifestação ressalta o papel das rochas naturais brasileiras na competitividade da indústria americana e os potenciais impactos das tarifas sobre empresas, empregos e custos da construção nos Estados Unidos.

 

Vitória, 25 de junho de 2026 – A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participará, no próximo dia 06 de julho, em Washington, D.C., da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir os impactos das medidas tarifárias atualmente em avaliação no âmbito da Seção 301. A entidade será representada pelo vice-presidente, Fábio Cruz.

 

A audiência integra o rito da investigação conduzida pelo USTR no âmbito da Seção 301 da legislação comercial americana. Após a conclusão da etapa de recebimento de manifestações escritas, o processo avança para a realização de audiência pública, reunindo representantes de empresas, associações, confederações e demais organizações interessadas em apresentar contribuições diretamente ao governo dos Estados Unidos. Ao todo, foram identificados 85 inscritos para participação nesta etapa.

 

A participação da Centrorochas integra a estratégia de diplomacia institucional e setorial que vem sendo conduzida pela associação desde julho de 2025, quando foram anunciadas as primeiras medidas tarifárias. Desde então, a entidade tem articulado empresas brasileiras, importadores, distribuidores, entidades setoriais e demais stakeholders americanos em torno da defesa dos interesses da cadeia produtiva de rochas naturais.

 

Durante a audiência, a Associação Brasileira de Rochas Naturais apresentará argumentos que demonstram os efeitos das tarifas sobre empresas, empregos, investimentos e cadeias de suprimento dos Estados Unidos, além de reforçar as razões que justificam a exclusão das rochas brasileiras da medida. Entre os principais pontos estão a utilização desses materiais por empresas americanas em etapas de transformação, distribuição e instalação, a ausência de substitutos equivalentes para diversas aplicações, além dos potenciais reflexos da medida sobre custos da construção e da habitação no país.

 

A manifestação apresentada pela Centrorochas destaca que aproximadamente 99,9% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos são compostas por produtos semimanufaturados (chapas) utilizados por empresas americanas em atividades de transformação, distribuição e instalação. Em 2025, o Brasil exportou US$ 795 milhões em rochas naturais para o país, seu principal mercado internacional, totalizando aproximadamente 587 mil toneladas de materiais destinados principalmente à fabricação de bancadas de cozinha e banheiro, revestimentos e outras aplicações residenciais e comerciais de alto padrão.

 

O posicionamento apresentado ao USTR também conta com o respaldo de importantes stakeholders da cadeia americana, incluindo o Natural Stone Institute (NSI), principal entidade representativa do setor nos Estados Unidos, a Pacific Shore Stones, distribuidora com 17 unidades em seis estados americanos, e a Quality Marble & Granite, fornecedora de referência na Califórnia e no Arizona. Em suas manifestações, as organizações destacam a ausência de substitutos equivalentes para os materiais brasileiros e alertam para os potenciais impactos das tarifas sobre custos e investimentos das cadeias de suprimento.

 

Segundo Fábio Cruz, a manifestação apresentada ao USTR representa mais uma etapa da estratégia de defesa comercial, diplomacia institucional e diplomacia setorial conduzida pela Centrorochas desde o ano passado para demonstrar a importância das rochas naturais brasileiras para os Estados Unidos. “As rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica americana. Pelo contrário, complementam uma cadeia produtiva que gera empregos, investimentos e renda em diversos estados dos Estados Unidos. A exclusão do setor das medidas propostas está alinhada aos interesses econômicos da indústria americana e contribui para preservar a competitividade das empresas que dependem desses materiais e evitar custos adicionais aos consumidores”, afirma.

 

 

Fábio Cruz, vice-presidente da Centrorochas (crédito: Divulgação Centrorochas)

Karina Porto Firme

Head de Comunicação da Centrorochas