Coletas vão durar até março de 2027. Pesquisa vai comparar poeira das ruas, obras e indústrias, e comissão promete fiscalização a cada três meses
Afinal, de onde vem o pó preto que chega à população da Grande Vitória? Para tentar responder a essa pergunta, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) já começou a coletar novas amostras para o Estudo de Caracterização de Fontes de Material Particulado, conhecido popularmente como “DNA do Pó Preto”.
O anúncio foi feito durante reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (Pode). O colegiado acompanha o andamento das ações relacionadas à qualidade do ar e pretende fiscalizar o estudo de forma periódica.
Segundo o analista de meio ambiente do Iema, Takahiko Hashimoto Júnior, a etapa de coleta está em andamento e deverá prosseguir até março de 2027. Depois disso, as análises serão realizadas por diferentes laboratórios e o resultado final poderá levar até dois anos.
O estudo é uma condicionante ambiental da Vale e envolve instituições como Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A proposta é comparar a composição das partículas encontradas nas estações de monitoramento com amostras coletadas diretamente de possíveis fontes de emissão.
“Nas nossas estações temos coletores, assim como nas fontes. Para saber de onde veio o material, precisamos caracterizar essas fontes e comparar as amostras”, explicou Takahiko.
*CHAMINÉS*
O trabalho já concluiu as coletas relacionadas à construção civil e às vias. Também foram realizadas amostragens em pilhas de materiais. Agora, o estudo entra em uma nova etapa, com foco nas chaminés das indústrias. Também serão analisadas amostras de solo e de materiais provenientes da varrição das ruas, entre outras possíveis fontes.
A pesquisa vai analisar tanto a poeira sedimentável, conhecida como pó preto, quanto o PM2,5, uma partícula muito menor e considerada mais preocupante para a saúde por conseguir penetrar profundamente no sistema respiratório.
O estudo atual retoma uma investigação realizada entre 2009 e 2011, que buscou identificar diferentes fontes responsáveis pela presença de partículas na atmosfera da Grande Vitória.
Para Gandini, a investigação precisa ser acompanhada de perto para que a população saiba não apenas o resultado, mas também como ele foi produzido.
“Essa é uma demanda histórica. Queremos entender cada etapa, os desafios e a metodologia utilizada. A Comissão vai acompanhar esse trabalho de três em três meses até que tudo esteja devidamente concluído”, afirmou o deputado.
O parlamentar também defendeu que os pesquisadores e instituições envolvidos apresentem o trabalho à Comissão para explicar o andamento das coletas e das análises.
Além do “DNA do Pó Preto”, o Iema prepara um novo Inventário de Emissões Atmosféricas, ferramenta que permite estimar quanto cada fonte contribui para a poluição da Grande Vitória.
O levantamento considera fontes como veículos, vias de tráfego, construção civil, pilhas de materiais, portos, ferrovias, aeroporto, aterros sanitários e até emissões residenciais.
O último inventário da Grande Vitória foi realizado em 2015. O Iema está finalizando os termos para contratar empresas especializadas que farão o novo levantamento e sua auditoria. A intenção é que o inventário seja atualizado periodicamente e sirva de base para definir onde e como agir para melhorar a qualidade do ar.

Para Gandini, a investigação precisa ser acompanhada de perto para que a população saiba não apenas o resultado, mas também como ele foi produzido.
Foto/texto: Gleberson Nascimento.