Setor brasileiro de rochas naturais defende exclusão das tarifas em audiência do USTR

Manifestação da Associação Brasileira de Rochas Naturais destacou os impactos das medidas para empresas, empregos e custos da construção nos EUA e reforçou o papel estratégico das rochas naturais brasileiras para a indústria local.

Vitória, 07 de julho de 2026 – A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) participou nesta terça-feira (07), em Washington, D.C., da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), etapa da investigação conduzida no âmbito da Seção 301 da legislação comercial americana. Representada pelo vice-presidente, Fábio Cruz, a entidade apresentou argumentos em defesa da exclusão das rochas naturais brasileiras das medidas tarifárias atualmente em discussão.

 

Durante a audiência, a Centrorochas demonstrou que as rochas naturais brasileiras exercem papel estratégico na cadeia produtiva americana, sendo utilizadas por empresas dos Estados Unidos em etapas de transformação, distribuição e instalação. A manifestação também destacou a ausência de substitutos equivalentes para diversos materiais brasileiros e os potenciais impactos das tarifas sobre empresas, empregos, investimentos, cadeias de suprimento e custos da construção e da habitação no país.

 

O posicionamento ressaltou que aproximadamente 99,9% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos são compostas por produtos semimanufaturados (chapas), utilizados principalmente na fabricação de bancadas de cozinha e banheiro, revestimentos e outras aplicações residenciais e comerciais de alto padrão. Em 2025, o Brasil exportou US$ 795 milhões em rochas naturais para o mercado americano, totalizando aproximadamente 587 mil toneladas.

 

A manifestação também destacou que esses produtos não representam concorrência direta à produção doméstica americana, mas integram uma cadeia produtiva consolidada há décadas, sustentando investimentos realizados por importadores, distribuidores, fabricantes, construtoras e demais empresas americanas que dependem do fornecimento regular desses materiais.

 

Indústria americana converge com manifestação apresentada pela Centrorochas ao USTR

O posicionamento apresentado pela Centrorochas foi reforçado durante a audiência por importantes representantes da cadeia americana de rochas naturais. Entre eles esteve o Natural Stone Institute (NSI), principal entidade representativa do setor nos Estados Unidos, cujo diretor executivo, Jim Hieb, também participou da audiência pública defendendo a relevância da pedra natural brasileira para a economia americana e a necessidade de preservar uma cadeia de suprimentos estável e competitiva.

 

A manifestação brasileira ainda contou com o respaldo de importadores e distribuidores americanos, incluindo a Pacific Shore Stones, distribuidora com 17 unidades em seis estados americanos. Em seus posicionamentos encaminhados ao USTR, as empresas destacaram que diversos materiais brasileiros não possuem substitutos equivalentes em quantidade, variedade, características técnicas ou aceitação comercial, além de alertarem para os potenciais impactos das tarifas sobre custos, investimentos e a estabilidade da cadeia de suprimentos nos Estados Unidos.

 

Segundo Fábio Cruz, a participação na audiência reforça uma estratégia de longo prazo construída pela associação para fortalecer o relacionamento institucional com os Estados Unidos. “Mais do que defender os interesses do setor em um momento específico, nossa presença demonstra o compromisso de construir uma relação duradoura com o mercado americano. As rochas naturais brasileiras não representam uma ameaça à produção doméstica. Pelo contrário, complementam uma cadeia produtiva que gera empregos, investimentos e renda em diversos estados dos Estados Unidos. A exclusão do setor das medidas propostas está alinhada aos interesses econômicos da indústria americana e contribui para preservar a competitividade das empresas que dependem desses materiais e evitar custos adicionais aos consumidores”, afirmou durante o discurso.

Karina Porto Firme

Head de Comunicação da Centrorochas 

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Fábio Cruz (Centrorochas) e Jim Hieb (NSI)

Crédito: Divulgação